Josemar Antônio
Artista e colecionador. Salvador, Bahia.
Colecionar, para Josemar Antônio, é uma extensão da vida de ateliê — e não um capítulo separado dela.
Artista e colecionador baseado em Salvador, ele forma há anos um acervo particular que hoje reúne 165 obras de 104 artistas. A coleção não tem sede nem programa expositivo: existe como conjunto catalogado e como presença pública através do perfil @colecao_josemar.antonio, onde cada obra é publicada com sua ficha completa — artista, título, técnica, medidas, data, numeração e acervo.
É uma prática de catalogação incomum para uma coleção particular. Não há obra sem ficha, e quase sempre há também um texto sobre o artista: onde nasceu, onde vive e trabalha, como se formou, o que sua obra investiga. Esse trabalho de registro — feito post a post — é o que permitiu que este catálogo digital existisse. Ele já estava pronto; faltava reuni-lo.
O método
A maior parte das obras chega por convivência. Encontros com artistas, visitas a ateliês, trocas entre colecionadores, obras presenteadas por amigos. Algumas fichas registram isso explicitamente: obra presenteada pelo Amigo/Artista, obra presenteada pelo Amigo/Colecionador. Outras vieram por caminhos formais — o Clube de Gravuras do MAM-SP, feiras e projetos de colecionismo.
O efeito desse método aparece no conjunto. Não há um recorte de mercado, nem uma aposta concentrada num nome ou numa geração. Há mestres santeiros do Piauí ao lado de artistas contemporâneos em início de carreira, gravuras dos anos 1950 ao lado de pinturas de 2026. O critério é a relação com a obra e com quem a fez.
“Uma excelente oportunidade de conhecer a potente Arte Paraense e seus excelentes Artistas.”
Josemar Antônio, após a roda de conversa em Belém, abril de 2026Colecionismo como conversa pública
Em abril de 2026, Josemar Antônio participou da roda de conversa Arte e Colecionismo no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, ao lado do colecionador Eduardo Vasconcelos e com mediação da curadora Vânia Leal — dentro da programação educativa da exposição Trajetórias — Arte Contemporânea Paraense.
O encontro é representativo do modo como ele entende o papel de quem coleciona: não o de guardar, mas o de fazer circular. Ver o registro da conversa →
A coleção como obra
Sendo ele próprio artista, Josemar Antônio coleciona de dentro do campo. Isso explica a atenção às técnicas — a ficha nunca diz apenas “gravura”, diz gravura em metal sobre papel, com as medidas do suporte e da estampa separadas, e a numeração da tiragem. É o vocabulário de quem conhece o processo por dentro.
E explica também a escolha do nome. Uma coleção de arte e de afetos é uma coleção que assume que as duas coisas não se separam.